Estão nos carros elétricos, nos celulares, nas turbinas eólicas e nos equipamentos de alta tecnologia. Mas poucos sabem o nome deles e menos ainda conhecem o papel estratégico que desempenham na economia global. As terras raras são um dos recursos minerais mais importantes do século 21, e o Brasil ocupa uma posição privilegiada nessa corrida.

O que são terras raras?

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados em tecnologias avançadas. Apesar do nome, não são exatamente raras, o desafio está na baixa concentração na natureza e na complexidade da separação química, o que torna sua extração e processamento altamente especializados e custosos.

Entre os elementos mais conhecidos do grupo estão o Lantânio, o Cério, o Neodímio e o Disprósio cada um com aplicações específicas em setores como energia, defesa, mobilidade elétrica e eletrônica de consumo.

O potencial brasileiro

O Brasil possui cerca de 21 milhões de toneladas de reservas de terras raras, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Esse volume representa aproximadamente 23% das reservas globais conhecidas, posicionando o país como um dos maiores detentores desse recurso estratégico no mundo.

As reservas estão distribuídas principalmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, mas é São Paulo que vem se consolidando como polo de pesquisa, tecnologia e processamento desses minerais.

Por que São Paulo virou referência?

Apesar de não concentrar as maiores jazidas do país, São Paulo reúne infraestrutura científica, tecnológica e industrial com universidades, centros de pesquisa, indústrias e mão de obra especializada. Segundo a diretora técnica adjunta do Crea-SP, engenheira agrônoma e geógrafa Eltiza Rondino Vasques, o protagonismo paulista está ligado à capacidade técnica, logística e organizacional instalada no estado para transformar recursos minerais em tecnologia.

O cérebro paulista das terras raras

A Universidade de São Paulo e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas integram iniciativas estratégicas voltadas ao desenvolvimento da cadeia nacional de terras raras. Entre elas está o INCT-PATRIA — Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Processamento e Aplicações de Ímãs de Terras Raras para Indústria de Alta Tecnologia, projeto voltado à produção de superímãs usados em motores elétricos, turbinas e equipamentos eletrônicos.

Os desafios da mineração

A exploração de terras raras exige processos complexos de extração, separação e refino, além de elevado controle ambiental. Os principais desafios do setor são o alto custo tecnológico, a geração de resíduos, o consumo intenso de água e energia e a necessidade de mão de obra altamente especializada.

O avanço do setor depende do equilíbrio entre inovação e sustentabilidade. O estado paulista vem investindo em monitoramento ambiental, reciclagem de componentes eletrônicos, eficiência energética industrial e técnicas mais limpas de separação química. A mineração exige inteligência territorial, planejamento e responsabilidade ambiental.

Engenharia e Geociências em ação

Por trás de toda a cadeia produtiva das terras raras estão profissionais das Engenharias, Geociências e Agronomia, que transformam recursos minerais em inovação, desenvolvimento e soberania tecnológica.

Geólogos identificam e caracterizam jazidas minerais. Geógrafos analisam território, logística, uso do solo e impactos sociais. Engenheiros de Minas planejam a extração e a operação mineral. Engenheiros de Materiais desenvolvem baterias, ímãs e componentes tecnológicos. Engenheiros Químicos atuam no processamento e separação dos elementos. Engenheiros Ambientais monitoram impactos e desenvolvem soluções sustentáveis.

Um mineral do futuro

As terras raras ajudam a impulsionar a transição energética, a indústria tecnológica e a economia global. Com 23% das reservas mundiais e um ecossistema científico e industrial em expansão, o Brasil tem tudo para se tornar protagonista nesse setor, desde que invista em qualificação técnica, pesquisa aplicada e responsabilidade ambiental.

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